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DevLog #1: Quem é o Ned — e por que nasceu o GNOR

Eu tinha uns dez anos quando descobri que dava para criar jogos sem saber praticamente nada de programação. Abri o RPG Maker pela primeira vez em um computador lento, ainda com Windows Vista, e comecei a explorar. Criava mapas, mexia em eventos, mudava coisas que não entendia e apertava Play para descobrir o que aconteceria….

NedActualizado el 22 de agosto de 20264 min de lectura

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Voltando a ser GameDev

Eu tinha uns dez anos quando descobri que dava para criar jogos sem saber praticamente nada de programação.

Abri o RPG Maker pela primeira vez em um computador lento, ainda com Windows Vista, e comecei a explorar. Criava mapas, mexia em eventos, mudava coisas que não entendia e apertava Play para descobrir o que aconteceria.

Não tinha um plano.

Na maior parte do tempo, eu nem sabia direito o que estava fazendo.

Mas era justamente isso que tornava tudo tão interessante.

Eu tentava alguma coisa. Dava errado. Tentava de outro jeito. Funcionava. Então surgia outra pergunta:

“E se eu fizer isso aqui?”

Sem perceber, estava aprendendo a criar jogos explorando.

Anos depois, fiz faculdade de Jogos Digitais, trabalhei como artista em estúdios e me tornei professor de Game Design.

Olhando apenas para essa sequência, parece uma trajetória bastante linear.

Não foi.

Em algum momento desse caminho, aconteceu algo estranho: enquanto aprendia cada vez mais sobre jogos e começava a ensinar outras pessoas, eu praticamente parei de desenvolver meus próprios jogos.

Voltar a ser iniciante

Quando decidi voltar a criar por conta própria, percebi uma coisa desconfortável:

eu tinha esquecido muita coisa.

Existiam conceitos que eu conhecia. Outros dos quais lembrava apenas vagamente. E vários que precisava aprender praticamente do zero.

Minha primeira reação poderia ser esconder isso.

Afinal, eu sou professor. Não deveria simplesmente saber?

Mas comecei a perceber justamente o contrário.

Voltar a ser aprendiz poderia me tornar um professor melhor.

Porque existe uma diferença enorme entre saber alguma coisa e lembrar como é não saber.

Quando você já utiliza uma ferramenta há anos, várias etapas começam a parecer óbvias. Termos deixam de precisar de explicação. Pequenas decisões tornam-se automáticas.

Para quem está começando, nada disso é automático.

E é muito fácil esquecer disso quando estamos ensinando.

Foi daí que começou a surgir a ideia do GNOR.

Por que eu criei o GNOR

Dou aula e vejo pessoas que querem criar jogos esbarrarem constantemente na mesma sensação:

“Isso parece complicado demais para mim.”

Programação. Engines. Game Design. Arte. Animação. Interface. Áudio.

Você começa querendo fazer um jogo e, de repente, parece que precisa aprender dez profissões diferentes antes de poder criar qualquer coisa.

E então abre um tutorial “para iniciantes”.

Cinco minutos depois, aparecem três termos que ninguém explicou, uma janela que você não sabe onde encontrar e alguma coisa que o professor diz ser “bem simples”.

É fácil concluir que o problema é você.

Quero que o GNOR seja diferente.

A proposta é criar um espaço para quem está começando no desenvolvimento de jogos e ainda não sabe todas essas coisas.

Um lugar em que eu possa reaprender, experimentar e criar enquanto transformo aquilo que descubro em conteúdo para outras pessoas.

Sem fingir que tudo funciona na primeira tentativa.

Sem esconder os erros.

E, principalmente, sem presumir que você já deveria saber.

Um professor que voltou a ser aprendiz

Não quero construir o GNOR em cima da ideia de que sou um especialista que possui todas as respostas.

Também não estou começando completamente do zero.

Tenho minha formação, minha experiência profissional e aquilo que aprendi ensinando.

Mas agora estou novamente colocando a mão na massa e percorrendo partes desse caminho como aprendiz.

Isso cria uma posição que considero interessante:

posso caminhar alguns passos à frente, descobrir onde estão os buracos e depois voltar para mostrar o caminho.

Se algo me confundir, provavelmente pode confundir outro iniciante.

Se eu cometer um erro interessante, podemos entender por que aconteceu.

Se descobrir uma solução, não quero mostrar apenas quais botões apertar. Quero tentar entender por que ela funciona.

É daí que vem a ideia de exploração do GNOR.

O que você vai encontrar aqui

O GNOR será construído em torno de três ideias:

Aprender

Conceitos de desenvolvimento de jogos explicados desde o começo, sem presumir conhecimentos que você ainda não teve a oportunidade de aprender.

Explorar

Ferramentas, técnicas, ideias e experimentos colocados à prova para entendermos não apenas como funcionam, mas por que funcionam.

Criar

Projetos e desafios que transformem conhecimento em prática.

Porque assistir a alguém criando um jogo não significa necessariamente que você aprendeu a criar um.

Precisamos tentar.

E provavelmente errar algumas vezes.

Por onde vamos começar

Neste momento, estou começando uma nova exploração com o Construct 3.

Quero aprender a ferramenta, entender seus fundamentos e, gradualmente, criar coisas cada vez mais complexas com ela.

Isso significa que você provavelmente vai encontrar por aqui minhas descobertas sobre Construct, desenvolvimento de jogos, Game Design e os problemas que aparecerem conforme os projetos forem evoluindo.

Mas o GNOR não é “um site sobre Construct 3”.

Construct é apenas o lugar onde essa nova etapa está começando.

Outras ferramentas, técnicas e áreas de desenvolvimento de jogos naturalmente poderão aparecer conforme avançarmos.

O importante é o processo:

aprender → explorar → entender → praticar → criar.

A mão amiga que eu gostaria de ter encontrado

Talvez você esteja começando agora.

Talvez já tenha aberto uma engine algumas vezes, seguido alguns tutoriais e ainda tenha a sensação de que não conseguiria criar alguma coisa sozinho.

Ou talvez simplesmente tenha uma ideia de jogo e não faça a menor ideia de qual deveria ser o primeiro passo.

É para você que quero construir o GNOR.

Não prometo ter todas as respostas.

O que posso fazer é explorar, testar, estudar e compartilhar aquilo que descobrir da maneira mais clara que conseguir.

Porque criar jogos pode ser complicado.

Começar não precisa ser solitário.

Se você também está aprendendo, pode vir junto.

Ainda temos muita coisa para descobrir.

Um grande Abraço!

ned despedindo

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Escrito por

Ned

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